Apeteceu-me simplesmente escrever...

Já que não gosto de ligar para ninguém quando estou com a telha (e até porque este meu estado de alma ocorre de 15 em 15 dias quando a minha menina vai para a casa do progenitor) para estar na conversa da treta ou para simplesmente me aturarem a minha "telhudice", pensei cá para mim própria: "se existem tantos blogues, então porque não eu escrever também um para soltar a minha língua".

Vi-me, de repente, de mala na mão e a fechar a porta da minha morada de família para não mais voltar. O que trouxe? piada...um daqueles sacos ranhosos do chinês com um amontoado de roupa minha e da minha filha, umas fotografias, alguns bonecos, 2 pares de cuecas, e alguns casacos. Bolas, o aquário dos peixes não cabem cá dentro (pensei eu) e vão acabar por morrer de fome porque o "outro dono" vai esquecer de mais uma das suas obrigações... Fiquei mesmo chateada. Mas enfim, vamos lá fechar o raio da porta que tantas vezes me deu vontade de bater. Vá lá é a tua oportunidade, a última. Não há tempo para pensar o que ficou lá do outro lado... os meus móveis, as minhas panelas, (tanta coisa estúpida que nos assalta nestas alturas)...bem havemos de resolver o resto...
Foi de facto, assim, que fechei a porta para não mais voltar. Fechei a porta às discussões, ao teatro trágico, às noites sem sono e às tentativas infrutíferas da minha filha não assistir à vida triste dos pais, que dia sim dia sim discutiam pelos motivos mais absurdos que se possa imaginar. Saí pela minha filha. Saí para que ela pudesse apagar as imagens tristes da sua ainda pequenina memória. Foi por amor a ela e, pela minha sanidade mental.
Isto aconteceu há mais de um ano e ao entardecer de um dia feio de fevereiro com muito frio... e lá se foi a minha lareira de que tanto gostava e que era sempre alimentada por mim nas minhas imensas viagens com a lenha de saca às costas do sotão até ao elevador do 7º andar. Sim porque o meu grande "companheiro de vida" estava sempre muito ocupado com outros afazeres... raios o partam.
Foi uma convivência realmente enriquecedora na descoberta de uma personlidade que desconhecia, especialmente depois da minha filha nascer. Ok, experiências de vida, dizem.
Que grande traste, nem tempo para ir com a filha ao café tinha.
Bem... o que lá vai, lá vai.
E cá estamos nós, em Junho de 2010 numa tarde, bem também já era, porque agora são quase 11 horas e eu estou para aqui a teclar e a reviver, acho que pela primeira vez a minha grande saga de vida passada que não me levou a nada. Que estranho, como se pode ter amado alguém e agora detestá-la? pois é isso que sinto actualmente. Assinei a minha sentença há cerca de 10 anos quando dei o maldito sim.
Agora apenas gostaria de ter a minha menina comigo e nem isso tenho. Bolas, ser mãe semana sim, semana não é algo muito complicado. Será que se merece assim castigo tão grande depois de tudo? Sabem... o meu maior sonho era ser mãe, e fui-o de facto. Mas quis o maldito destino e a maldita justiça e o maldito do progenitor que assim não fosse.
Desde que nasceu, a minha menina esteve sempre comigo. Andávamos sempre atreladas. Acordávamos juntas, comíamos juntas e adormecíamos juntas. O mundo era só nosso. Eu vivia para ela. Contava as horas para a ir buscar ao infantário, ambicionava os fins de semana para estarmos mais tempo juntas, enfim... agora tudo mudou.
Agora são as estúpidas semanas alternadas, as minhas idas rápidas à escola para lhe dar um abraço quando não é a minha semana, e a ânsia de chegar a minha semana...
Sou uma mãe partida que sente que a filha lhe foi arrancada do colo por um capricho do progenitor que não aceita que levou um pontapé no cu e, a justiça dos homens que é cega... e que agora deu também na protecção dos progenitores...coitadinhos. Cega porque não viu que quando eramos três lá em casa, só havia duas na realidade. Sim, porque o pobre coitado fartava-se de trabalhar... era muito trabalhador o sr. gestor. Pobrezinho...



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